15/09/2019 

Ocorrência de incêndios no Estado cresceu 45% em 2019

Um dos casos acontece no Refúgio Caiman

SET 19 - 18h:29FÁBIO ORUÊ

Bombeiros combatem o incêndio na Fazenda Caiman - Foto: Foto: Saul Schramm

Corpo de Bombeiros Militar atendeu 4.946 ocorrências de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul durante 2019. O número de ocorrências atendidas cresceu 45% na comparação janeiro/setembro de 2017 com 2019, saltando de 3.151 casos para 4.946. 

Atualmente, o Corpo de Bombeiros conta com um grupo de militares que trabalha exclusivamente no atendimento aos incêndios, sendo montado uma escala operacional de combate, envolvendo 56 militares de folga e do setor administrativo, além dos 200 homens já em operação.

A corporação também recebeu reforço de equipamentos e viaturas, ampliando o poder operacional de combate a queimadas em todo MS. Para o combate ao incêndio florestal, há disponível 25 Auto Bomba Tanque (ABT), 16 Auto Bomba Rápido (ABR), três Auto Tanque, cinco viaturas de Auto Busca Salvamento e Resgate e 24 viaturas de auto salvamento.

Foram distribuídos 15 kits pick-up, 101 mochilas costal flex, 226 bomba-costal rígida, 336 abafadores, 47 pinga-fogo, nove motobombas MK3, quatro motobomba flutuante, cinco motobomba mini-striker, 36 GPS, 31 mochilas de hidratação, 84 motosserras, 58 machados, 117 HT, 45 enxadões, 113 enxadas, 85 pá-coração, 94 facões e 33 sopro varredores.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Mato Grosso do Sul é o sexto Estado com maior número de focos de calor no mês de setembro, centrando 7,7% dos incêndios florestais do País.

O Governo do Estado decretou Situação de Emergência contemplando parte das áreas rurais dos municípios de Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Corumbá, Ladário, Bonito, Miranda, Porto Murtinho e Bodoquena atingidas pela propagação do fogo.

INCÊNDIO NO REFÚGIO CAIMAN

O fogo no Refúgio Caiman já consumiu mais de 40 mil hectares da vegetação do local desde o dia 10, quando o fogo de uma fazenda vizinha atingiu a estância. Cerca de 70 pessoas tentam combater o fogo. 

Equipes do PrevFogo, do Ibama, e militares e civis sob o comando do Corpo de Bombeiros do Estado estão trabalhando diuturnamente para fazer encerrar as chamas. A operação conta com dois aviões – um para sobrevoar a área e definir por GPS os pontos de focos, e outro, um agrícola, com bolsa para 2.600 litros de água.

A situação local ainda é crítica, ontem (12), concluiu-se pelo controle do fogo, mas no final do dia outros focos apareceram. O coordenador da equipe, tenente bombeiro Carlos Antônio Saldanha Costa, explicou que existe uma carga de combustível muito grande no ambiente por conta da estiagem.

“O fogo veio de uma fazenda vizinha, atravessou o canal de 100 metros do Rio Aquidauana e atingiu rapidamente uma área de reserva da Caiman, devido ao forte vento”, informou o oficial. “Contamos com seis equipes de combate e o Corpo de Bombeiros está enviando mais brigadistas e viaturas para reforçar a ação, que tem exigido muito do pessoal em combate devido às condições da vegetação rasteira, áreas ainda úmidas e riscos de animais.”

A queimada se alastrou por uma linha reta de 35 km, do Rio Aquidauana a sede da fazenda, onde foi montada a operação. Grande parte da reserva legal foi consumida pelas chamas, que atingiu também a borda de uma unidade de 5 mil hectares de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), onde o PrevFogo atua com 30 brigadistas. Uma área de brejo protege a reserva, informou o coordenador estadual do PreFogo, Mário Yule, que integra a equipe na Caiman.

Enquanto os brigadistas, militares e voluntários enfrentam as altas temperaturas do fogo e do clima seco, pesquisadores dos programas de conservação e proteção da onça-pintada e da arara-azul, mantidos pela fazenda, monitoram as áreas queimadas para observação dos 146 felinos catalogados e os ninhais. A Caiman também iniciou levantamento da fauna e flora para mensurar o que foi destruído visando reconstruir o ambiente. 

“Vivemos momentos dramáticos, nunca tínhamos enfrentando um evento assim, que veio com essa força brutal devido às condições climáticas, excesso de mancha verde e vento”, disse Roberto Klabin, dono da propriedade. “O fogo entrou lambendo, se expandiu rapidamente e em pouco tempo chegou quase à frente da sede da fazenda. Mas, felizmente, estamos dominando a situação, apesar de novos focos”, contou.

* Com informações da assessoria 






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