20/07/2018 

MS registra 725 focos de incêndios no semestre; Centro-Oeste lidera ranking

Uma das causas do aumento no número de incêndios em áreas florestais e de lavoura pode ser o maior tempo de estiagem em 2018

Flávio Verão

Queimadas na área urbana são provocadas pela limpeza de terrenos baldios ou pastagens Foto: Cido Costa/acervo

Mais de 22 mil focos de incêndio já foram registrados no país neste ano e do total, 6,9 mil somente na região Centro-Oeste, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A região tem enfrentado dias ensolarados, com tardes quentes e índices críticos de umidade, como é comum nesta época do ano. Ao longo do outono a chuva torna-se cada vez mais irregular e o inverno marca o período de forte estiagem.

O tempo seco favorece a proliferação de queimadas e, de acordo com os dados mais recentes do CPTEC/INPE, Mato Grosso é o estado com maior número de focos do Brasil, representando mais de 30% do total de queimadas do país. Os dados apontam 5376 casos registrados de janeiro até ontem. Em segundo lugar na região está Mato Grosso do Sul. Bem distante, o Estado teve este ano 725 focos, bem próximo dos 893 registrados em todo o ano passado. Goiás teve até ontem 829 focos de queimadas.

Uma das causas do aumento no número de incêndios em áreas florestais e de lavoura pode ser o maior tempo de estiagem em 2018. Mas bombeiros e especialistas também chamam a atenção para o desmatamento e para a degradação ambiental como fatores responsáveis pela ampliação dos focos.

Por ser campeão nacional, o período de proibição das queimadas em zona rural do estado de Mato Grosso começou no domingo e vai durar 90 dias, até 15 de outubro, podendo ser prorrogado. Dos 10 municípios brasileiros com mais focos de incêndio registrados no país neste ano, seis são de Mato Grosso: Feliz Natal, Nova Maringá, Tangará da Serra, Tabaporã e Gaúcha do Norte.

**Sem chuvas***

Conforme o Inpe não há registro de chuva para os próximos 10 dias em todo o Centro-Oeste. As condições climáticas podem ainda piorar com a chegada de uma frente fria neste fim de semana, principalmente em Mato Grosso do Sul. Isso poderá deixar a umidade do ar muito baixa. A temperatura deverá oscilar entre 13ºC e 27ºC.

Em Dourados, segunda maior cidade de MS, o tempo seco se estende desde o mês de abril. Choveu apenas 11mm na cidade. Segundo a Embrapa Agropecuária Oeste, a distribuição das chuvas foi muito irregular na região. Os solos em Dourados permaneceram com níveis insatisfatórios de umidade. Já os solos de Rio Brilhante e Ivinhema encerraram o mês em condições razoáveis e insatisfatórias, respectivamente.

O problema é que a partir deste mês de julho é que começa a temporada mais crítica da estiagem, que geralmente se estende até setembro. As causas mais frequentes de incêndio em vegetação são provocados pela queima de lixo e de madeiras, todos por ação humana. Já nas cidades é provocado pela limpeza de terrenos baldios ou pastagens.

Como agravante, em muitos casos, o incêndio é reativado por pessoas que tem interesse em limpar a área para construir ou para evitar multas. As consequências diretas das queimadas atingem a flora e a fauna e colocam risco acidentes de trânsito. Já as indiretas estão relacionadas aos problemas de saúde, principalmente respiratório.

Entre as recomendações pelo Corpo de Bombeiros para evitar incêndios no período crítico do ano estão: não colocar fogo sob hipótese nenhuma; criar aceiros nos terrenos, com limpeza da vegetação num espaço de 1,5 metros ao redor para evitar que incêndios vizinhos consigam se propagar; recolher as folhas secas em sacos de lixo; e não jogar bitucas de cigarro em locais onde há vegetação que possa servir de combustível.






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